2.3.08

marcha pelos direitos e liberdades democráticas

"Somos muitos, muitos mil. Muitos mais que cinco mil"









O país está em movimento.

Alguns sentenciavam ontem a "queda" da Ministra da Educação.

Espero ansiosamente pelos professores, na próxima semana.




Fotos: Isabel Pereira Gomes_1Mar'08_Lisboa

5 comentários:

jf disse...

a luta continua!

Johnny disse...

Estou a ver que alguém gostou de, pelo menos, uma coisa em Lisboa.
Com certeza, não foi um espectáculo para gente sentada.
É assim mesmo.
J

SAM disse...

Não acredito em manifestações pacíficas, com rimas engraçadas (?), frases batidas como "para continuar Abril", " a luta continua"
Já não há paciência!

Aiii as promessas de Abril...esqueceram-nas quando saíram todos para a rua de cravo na mão, sem se aperceber que sairam para a rua de cravo na mão a horas certas...
E no fim da manif, o farnelzinho não? garrafões a rolar sem gravata por todos, uma sardinhada à integralismo lusitado!
No fim vão todos para casa convictos que fizeram a diferença!

O governo consulta a polícia e o SIS...tudo correu bem...
Os cães ladram mas a caravana passa!

Isabel Gomes disse...

Sam:

Eu acredito mais em manifs pacíficas de cravo na mão e rimas gastas do que ficar em casa a coçar os músculos irrigados de sangue inerte que só se exalta para "mandar vir contra o governo" em conversas de café, ou noutros espaços igualmente privados (tipo na madeira, tás a ver, o pessoal falar mal do "seu" querido jardim);

O farnelzinho, só para te situar, foi ANTES da marcha, não fosse dar o badagaio colectivo às 50 mil pessoas que, achando que iam fazer a diferença, lá se mexeram do seu canto do país e foram cantar pra Lisboa;

Finalmente: não, pelo menos eu não, não vim para casa achando que fiz a diferença. Vim para casa a pensar que fiz, simplesmente, alguma coisa.

Porque a coçar os músculos em casa, meu caro, vejo a vida a passar por mim. E que o Cosmos me dê paciência para todas as lutas que eu ainda quero fazer.

lux disse...

Caro Sam,

obviamente que essa coisa dos garrafões, do farnel, é das massas populares. A massa trabalhadora.

Aqueles que trabalham mais do que 8horas por dia, para ganharem 407 euros por mês.

Aqueles que gostam de futebol, que vêm novelas e que não sabem o nome dos ministros.

Aqueles para quem sartre deve ser uma cidade francesa, e beauvoir um bolo com creme.

Aqueles que têm baixa escolaridade e que juntaram o dinheiro todo para os filhos poderem ser doutores.

Aqueles que comem feijoada ao domingo, porque é o dia da semana em que podem comer melhor.

Aqueles que não têm dinheiro para comprar carne de vaca mais do que 2 vezes por mês.

Aqueles que constituem a grande maioria da população e que constroem o pais e aumentam a produção nacional.

Aquelas que não podem engravidar senão perdem o emprego.

Aqueles que têm os salários em atraso, protestam em frente à empresa, são identificados pela polícia, julgados e condenados a 75 dias de prisão, convertida em multa, porque se manifestaram.

Aqueles que não têm dinheiro para sair de casa dos pais, embora tenham curso superior e até saibam que sartre e beauvoir eram filósofos e foram um dos casais mais estranhos de sempre.

Também há uns que sabem quem foi a Clara Zetkin e mesmo assim cometem a veleidade de gostar de futebol, cerveja e tremoços.

Aqueles, que como dizia Brecht, são imprescindíveis e lutam todos os dias. Em casa, para sobreviver. No trabalho, para ter dinheiro ao fim do mês. E na rua, para que ninguém tenha que ser identificado ou julgado, para que ninguém ganhe só 407 euros, para que todos possam ir para a escola, para que todos vivam com dignidade.

Mas claro, a sardinhada, o farnel e o garrafão estragam o cenário... Talvez se escreverem num blog consigam mudar o mundo.